sexta-feira, 2 de maio de 2014

OCORRÊNCIAS ENVOLVENDO EQUIPAMENTOS MÉDICO-HOSPITALARES


   Ao passo que a tecnologia vem sendo cada vez mais empregada em equipamentos eletromédicos, aumentam-se também as exigências relacionadas à segurança elétrica, uma vez que com as novas tecnologias, os riscos associados a choques elétricos, erros operacionais, dentre outros, se tornam cada vez mais suscetíveis a ocorrer em ambientes hospitalares. A falta de manutenção, testes diários, inspeções periódicas dos equipamentos médico-hospitalares e o uso incorreto dos mesmos ocasionam acidentes que podem trazer sérios danos à saúde do paciente e da equipe clínica. As fotos a abaixo mostram um dos primeiros desfibriladores e um desfibrilador atual, quanta mudança!!







    A seguir relatarei alguns casos  de acidentes envolvendo equipamentos médico-hospitalares para ressaltar a importância desse assunto.

1º Caso: Falta de inspeção no bisturi elétrico:

    Uma paciente de 26 anos sofreu uma queimadura de terceiro grau no polegar direito durante a realização de uma cirurgia plástica para correção de hipertrofia mamária, a paciente foi submetida à anestesia geral. Após três horas de cirurgia, percebeu-se um odor de queimado na sala cirúrgica, houve a verificação do posicionamento da placa neutra do bisturi elétrico, mas finalmente constatou-se a queimadura no polegar direito da paciente, local onde se encontrava o oxímetro de pulso. O sensor foi retirado e o bisturi e a placa foram trocados. Ao investigar o motivo do acidente, a análise do bisturi revelou uma descontinuidade no fio de retorno, próximo à inserção na placa de dispersão. A paciente foi submetida a novas internações para tratar a lesão causada pela queimadura. Esse acidente ocorreu devido um defeito no fio da placa de dispersão, que impediu o retorno da corrente, a falta de saída fez com que a corrente elétrica procurasse pontos de menor resistência, que nesse caso foi o sensor do oxímetro de pulso, que gerou calor no local e queimadura. Os métodos para prevenção de acidentes elétricos causados por bisturi eletrônico é a checagem da integridade do circuito, uso correto do equipamento, manutenção preventiva, verificação periódica pré- cirurgia, entre outros fatores.

                        



Para ver essa noticia na integra, acesse: http://www.clasa-anestesia.org/revistas/brasil


2º Caso: Mesa cirúrgica quebra durante parto

    Ao iniciar o trabalho de parto, uma paciente de 28 anos foi acomodada em uma mesa cirúrgica para realização do parto normal. Durante o procedimento, a mesa cirúrgica quebrou, derrubando a paciente e o recém-nascido no chão. As consequências desse acidente foram a morte do recém-nascido, visto que sofreu traumatismo craniano, traumatismo na região do púbis e na perna direita da paciente. Após constatações sobre o motivo do acidente fatal, foi levantada a hipótese de que a mesa não deveria ter passado por manutenção preventiva, não foi apresentada nenhuma evidência provando alguma inspeção recente e muito menos verificação antes do procedimento.

Para ver esse caso na integra, acesse: http://g1.globo.com/brasil/noticia

3º Caso: Desfibrilador? Funciona?

    Durante uma crise de epilepsia, uma mulher de 32 anos sofreu uma parada cardíaca e seus familiares solicitaram ajuda dos serviços de atendimento móvel de urgência (SAMU), a primeira ambulância chegou ao local em menos de 5 minutos e foi constatada a necessidade do uso de um desfibrilador, que não estava presente nessa ambulância, foi chamada então uma segunda ambulância que estava com um desfibrilador sem funcionamento. Infelizmente o preço dessa falha foi a vida da paciente que poderia ter sido salva com o uso de um desfibrilador operante.


    Acidentes como os mencionados poderiam ter sido evitados se os equipamentos envolvidos tivessem passado por uma análise periódica de acordo com o recomendado. O desfibrilador, por exemplo, recomenda-se que diariamente sejam feitas inspeções da carga na bateria e que pelo menos uma descarga seja aplicada em um analisador de desfibriladores. A utilização de check list também é muito importante para avaliar a situação de cada equipamento e seu funcionamento antes dos procedimentos. 

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quinta-feira, 1 de maio de 2014

É VERDADE? ESTUDOS E PESQUISAS: INTERFERÊNCIA EM EQUIPAMENTOS MÉDICOS

Existem estudos que apontam que alguns equipamentos médico-hospitalares sofrem interferências eletromagnéticas, que são alterações nas funções de qualquer equipamento por meio de exposição a campos eletromagnéticos (meio nerd, mas prossiga com a leitura, fica bem interessante!).








O mito que paira sobre interferência eletromagnética e equipamentos médico-hospitalares é o seguinte:

O uso do aparelho é capaz de causar interferência no funcionamento dos equipamentos?

Um estudo desenvolvido na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) por Cabral e Mühlen em 2002 apresentou a proposta, e para comprovar o mito ou desmenti-lo de vez, realizaram um teste.

Neste teste levaram-se em conta dados como o desempenho projetado dos equipamentos médicos na presença de campos eletromagnéticos com intensidade até 3V/m e a medida da intensidade do campo elétrico de um celular, que em operação seria de 600 mW (lembrando que o estudo foi em meados de 2002).

Ocorre que equipamentos médicos possuem dezenas de componentes eletrônicos que funcionam como antenas que captam sinais de radio frequência (RF), é possível que as ondas emitidas pelo celular interferirem no funcionamento do equipamento, por isso, realizaram o teste – escolheram alguns equipamentos (bomba de infusão, oxímetro de pulso, monitor cardíaco) e os colocaram no “raio” de ação do campo eletromagnético. Para melhor definição dos resultados, fizeram o teste em uma quadra esportiva (assim ficaria livre de outras interferências por RF) e diferentes distâncias da fonte principal.

Ao final, foi notado que a intensidade de campo elétrico produzido pelo telefone celular supera o nível máximo que os equipamentos devem suportar. Em 55% ocorreram perturbações perceptíveis com prejuízo no desempenho da função.

Esse estudo demonstrou que a exposição de equipamentos médico-hospitalares a campos eletromagnéticos superiores ao que foi projetado para suportar pode comprometer sua função, e isso ocasionará risco ao paciente.

Mas o que fazer?

Antes, era recomendado o NÃO uso do telefone celular em ambientes hospitalares, mas alguém respeitava? Entendia o motivo? (claro se ninguém informasse corretamente, só mandando desligar o aparelho, ninguém leva a sério). 

Acontece que, ao longo dos anos, a tecnologia foi sendo aprimorada, e os fabricantes de equipamentos médico-hospitalares melhoraram circuitos eletrônicos, a “carcaça” do equipamento, assim diminuindo o risco de alterações nas funções pela emissão de radio frequência superior ao que suportavam.


E ai tec’s? Entendido a pesquisa? Interessante não? Esse estudo não lembra uma certa dupla de caçadores? (Mythbusters!!!)



E ai? O que diria do mito: O uso do aparelho é capaz de causar interferência no funcionamento dos equipamentos?




Acesse na integra a pesquisa: http://www.bioingenieria.edu.ar/ E não esqueça: Se gostou ou tem dúvidas, sugestões, compartilhe conosco através dos comentários.